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Exposição sobre memória de pessoas pretas e indígenas do século XIX estreia em São Luís

Exposição Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA. Alonso Junior A exposição “Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA”, integrante do projeto artísti...

Exposição sobre memória de pessoas pretas e indígenas do século XIX estreia em São Luís
Exposição sobre memória de pessoas pretas e indígenas do século XIX estreia em São Luís (Foto: Reprodução)

Exposição Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA. Alonso Junior A exposição “Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA”, integrante do projeto artístico “Direito à Memória”, estreia nesta quarta-feira (25), em São Luís. A mostra será realizada no Chão SLZ, no Centro Histórico da capital maranhense. O foco central da exposição é recontar histórias de pessoas pretas e indígenas que foram registradas de forma violenta, desrespeitosa e brutal durante a expedição fotográfica de cunho racista denominada “Thayer”, realizada na Amazônia no século XIX. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp Contemplada na PNAB 2024 – Fomento à Execução de Ações Culturais de Artes, a iniciativa é realizada com apoio do Governo do Estado do Amazonas, por meio do Conselho Estadual de Cultura e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Governo Federal. A exposição é idealizada e tem direção artística da artista manauara Keila-Sankofa. Segundo a artista, o trabalho surge a partir de um incômodo com a forma como pessoas pretas e indígenas tiveram suas imagens públicas modificadas ao longo do tempo, apresentando um passado distorcido. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com a mostra, o objetivo é criar possibilidades para uma nova edição da memória pública e imagética dessas pessoas fotografadas na expedição. Para Keila-Sankofa, teorias racistas científicas criadas para justificar uma suposta superioridade racial naquele período ainda se perpetuam no imaginário atual. “Nosso trabalho é plantar e cultivar, recriar essas imagens e intervir na paisagem da cidade retratando esses indivíduos sociais por nome, cultura, origem, desejos e constituição familiar, tudo aquilo que o processo da história colonial propositalmente apagou”, afirma a artista. Na exposição, a transmutação da imagem é utilizada como ferramenta para contar parte da história de pessoas pretas e indígenas, possibilitando, por meio da poética, a construção de identidades. A proposta utiliza a revisitação histórica para criar novos imaginários e promover uma transversão da história oficial. A mostra também atua na ressignificação dos cativos retratados nas fotografias, apresentando-os como seres livres, com suas humanidades reconhecidas, e transformando-os em obras que evidenciam suas existências e importâncias sociais. Antes de chegar ao Maranhão, a iniciativa já foi realizada em três locais de Manaus: o Largo de São Sebastião, a Trilha do Musa, no Angelim de 500 anos, e o Salão do Museu da Amazônia (MUSA). Esta é a primeira vez que a exposição é apresentada fora do Amazonas. “Essa é uma satisfação enorme poder estar em terras maranhenses. Queremos ocupar a Amazônia inteira com a voz dessas pessoas contando suas próprias histórias”, diz Keila-Sankofa. Programação A abertura oficial ocorre nesta quarta-feira (25), às 19h, no Chão SLZ, localizado na Rua do Giz, nº 167, no Centro Histórico de São Luís. Além da exposição, a programação inclui outras duas ações culturais no mesmo local. Na quinta-feira (26), às 19h, será realizada a mesa de debate “Chão e Direito à Memória”, com participação dos artistas Keila-Sankofa e Dinho Araújo. A atividade é gratuita e aberta ao público. Já o minicurso “Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica” será realizado nos dias 2 e 3 de abril, das 15h às 18h, ministrado por Patrícia Melo, responsável pela assessoria histórica da exposição. A atividade também é gratuita e com acesso livre. Mais informações sobre a mostra podem ser acessadas nas redes sociais do Chão SLZ, da artista Keila-Sankofa e do projeto “Direito à Memória”. Direito à Memória Criado em 2019, o projeto “Direito à Memória” propõe, por meio da arte em diálogo com a história, o enfrentamento de processos sistemáticos de apagamento. A iniciativa busca ampliar o olhar sobre referências negativas historicamente atribuídas às populações negras e indígenas no território amazônico. O projeto é descrito como uma escrita poética de humanização da memória de vidas pretas e indígenas, funcionando como um “cavamento histórico” que une pesquisa artística e ação contracolonial. Serviço O quê: Abertura da exposição “Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA” Onde: Chão SLZ, Rua do Giz, nº 167, Centro Histórico de São Luís Quando: Quarta-feira (25), às 19h Entrada: Gratuita e aberta ao público Mais informações: Instagram da artista Keila-Sankofa: https://www.instagram.com/keilasankofa/ Projeto Direito à Memória: https://www.instagram.com/direitoamemoria/ Chão SLZ: https://www.instagram.com/chaoslz/